O processo de envelhecimento facial ocorre de forma mais ou menos previsível, para todas as faces.

O tecido gorduroso existente logo abaixo da pele está disposto de duas formas: em uma camada superficial e continua existente logo abaixo da pele e em outra profunda, agrupado em bolsas de gordura, dispostas em locais anatômicos já bem conhecidos e constante em todas as faces. No 1º se dispõe em um leito mais ou menos homogêneo, cobrindo toda a superfície da face, podendo variar de um milímetro a alguns centímetros, dependendo do acúmulo de gordura característica do indivíduo. No segundo, acumula-se em bolsas que variam de tamanho nos diferentes locais da face e cuja evolução ao longo dos anos é um dos fatores responsáveis pela perda da “estética facial” ou harmonia, ou beleza… Os últimos estudos são claros: a maior perda de gordura facial que ocorre com o envelhecimento se dá na camada profunda, e não na superficial, que se mantem mais ou menos estável à medida que envelhecemos.

O fato é que não somente a gordura facial, como também os músculos e as fáscias (tecido conjuntivo presente em meio à musculatura facial e gordura) sofrem alterações físicas e mecânicas ao longo dos anos, resultando em última análise em uma frouxidão, flacidez ou “queda” dessas estruturas. Essa queda acaba se refletindo por fim,  na pele, que literalmente escorrega e causa a famosa inversão do triangulo da beleza, como ilustrado na figura 1.

Como regra geral, tudo o que cai deve ser levantado, quando se deseja resgatar a juventude, ou a beleza facial. A maneira mais conhecida e talvez mais óbvia, para se elevar os tecidos faciais é o facelifting, ou ritidoplastia (cirurgia de rugas faciais.  Rítido = rugas).

Os fios de sustentação da face, embora ainda pouco conhecidos, são alternativas para essa suspensão dos tecidos ptosados ou caídos, mas algumas características dessas estruturas merecem comentários.

Os primeiros fios do mercado foram desenvolvidos por dois médicos americanos em 1996. Os fios eram de polipropileno e sues “dentes” ou “garras” (que seguravam os tecidos), eram feitos manualmente. Em 2001um médico brasileiro, Dr. Beramendi, lançou no Brasil o famoso fio Russo, cujas garras eram mais sólidas e firmes. Ao longo dos anos, o fio Russo sofreu modificações e evoluções em seu sistema de garras duplas convergentes, e com o desenvolvimento da metodologia de implantação dos fios, a técnica popularizou-se e os resultados foram muito animadores. Outros colegas, também lançaram suas técnicas e seus fios, com variações nas garras, no material e na técnica de implantação dos mesmos, até que um fio reabsorvível, feito de ácido “L-Polylactic” e Lactide glycolide, com cones móveis bidirecionais, separados por nós, foi lançado nos EUA, após 6 anos de pesquisas. Este fio é indicado para pacientes com flacidez leve a moderada da face, em terços superior, médio e inferior. Sim, é indicado para tratamento de toda a face, sendo mais efetivo, entretanto, no terço inferior, especificamente nas alterações de contorno da mandíbula.

Meu ponto de vista é que o fio é uma alternativa segura para controlar os 1os sinais de envelhecimento, que são tão incomodativos quanto discretos, sem a necessidade do trauma cirúrgico, que por mais que tenha evoluído ao longo dos anos, ainda assusta muita gente, pelo medo dos riscos da cirurgia, das intercorrências, dos efeitos exagerados. O material é muito seguro, pelo menos é o que mostram pesquisas e estudos de longo prazo. A técnica de aplicação é relativamente simples, e os efeitos são discretos.

Mais uma alternativa para nosso arsenal contra os efeitos implacáveis do tempo! E um lembrete sério: parcimônia e bom senso sãos os maiores aliados da juventude com elegância!